Postado por Carolina Filisberto em Resenha, Teatro

Com a inauguração do Teatro Renault, antigo teatro abril, o primeiro musical apresentado na reabertura foi Os Miseráveis, em 2001. E agora, em 2017, o musical voltou para São Paulo desde março, no Teatro Renault.

Seguindo o roteiro londrina na comemoração no 25º aniversário do musical, o espetáculo é inspirado em uma das obras mais famosas de Victor Hugo, escrita no século XIX. A história se passa na França entre os anos 1815 e 1832, um período de instabilidade social e política. O plano de fundo da história é a Batalha de Waterloo, onde a França comandada por Napoleão é derrotada e a monarquia volta ao poder, sendo obrigada a pagar diversas multas, deixando os franceses na miséria, além da Batalhe de Waterloo, o musical também fala da Revolução de 1830, que o rei Carlos X é deposto e o rei Luís-Filipe toma seu lugar, permanecendo na miséria da França.

LesMis/Divulgação

Com esse contexto, veremos a miséria e os conflitos sociais durante todo o musical. O musical tem Jean Valjean (Daniel Diges) como protagonista, um ex-presidiário preso por ter roubado um pão para a irmã, sendo perseguido pelo inspetor Javert (Nando Pradho). Também temos Kacau Gomes dando vida à Fantine, mesmo que seja de forma passageira (mas muito emocionante!), como a mãe cheia de sofrimentos e humilhações, se destacando pela emoção transmitida no número de “eu tive um sonho (I dreamed a dream)”.

Laura Lobo, que interpretou Cosette criança na primeira versão, volta aos palcos como Éponine, gerando muitas lágrimas durante suas dificuldades por ser invisível ao seu amor, mas tendo uma representação mais dura e decidida. O casal Cosette (Clara Verdier) e Marius (Filipe Bragança) transmite a esperança do amor em meio da guerra, e mesmo com as dúvidas do público, Filipe Bragança conseguiu surpreender o público no exigente vocal e na representação de Marius.

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Apesar da dramaticidade da história, a peça tem seus momentos cômicos, destacados pelo casal Thénardier, interpretado por Ivan Parente e Andrezza Massei, que gerava aplausos eufóricos do público nas duas vezes que assisti a peça.

Além dos personagens principais, os personagens menores transmitiam as expressões tanto quantos os outros personagens, representando com excelência as misérias e a sociedade daquela época.

Além do elenco de alta qualidade tanto no vocal quanto na interpretação, o musical teve um destaque na construção do cenário, através dos desenhos de Victor Hugo e reprodução de cenários em projeção, dando maior dinamicidade na peça, além de toda a construção (destaque-se a barricada, no segundo ato).

A peça é cantada do começo ao fim, então para aqueles que não estão acostumados com o musical, pode ser um pouco complicado em acompanhar a história, mas a dinâmica da peça auxilia no entendimento e na atração por toda a sua história, seria impossível não conseguir admirar o musical, toda a construção da peça e a história feita por Victor Hugo.