Postado por Jhonata Fernandes em Resenha, Séries

Este post não é apenas uma resenha da temporada final de Orphan Black, mas também uma reflexão sobre como a série é importante para o empoderamento feminino. (O texto contém alguns spoilers)

Depois de 5 temporadas, a série protagonizada por Tatiana Maslany chegou ao fim, e deixou os fãs satisfeitos com um final sutil, mas essencial.

O sucesso da série canadense foi uma surpresa logo no início, afinal a protagonista era pouco conhecida, e o arco a ser trabalhado poderia ser uma bomba relógio se não realizado de maneira correta. No entanto, o sucesso da série foi inevitável, e pudemos ver a interpretação extraordinária de Tatiana Maslany em suas representações do Clone Club.

Com uma temporada feita para enfrentar os inimigos e descobrir toda a verdade por trás da Neolution, a série acabou focando em nomes como P.T Westmorland, que junto de Susan Duncan e Virginia Coady, deram início ao processo de clonagem humana. A tática de utilizar alguns flashbacks, mas se prender em diálogos entre estes personagens para que algumas dúvidas fossem esclarecidas, fez com que eles tirassem o espaço de personagens muito mais relevantes para os fãs, como Rachel e Alison, o que tornou alguns episódios parados demais para o nível já apresentado por Orphan Black.

Já com a perseguição de Kira e Rachel, mal podíamos esperar para a resolução desta incessante corrida. As personagens que foram a grande chave desta temporada, foram bem trabalhadas para que pudessem entregar toda emoção necessária para a construção deste último ciclo.

Do início na ilha onde as pessoas eram enganadas por P.T. Westmorland, até o sequestro e o parto de Helena, a série revelou ter diversas surpresas na manga. Como a redenção de Rachel, o sacrifico de Siobhan (Algo louvável, e que deu o melhor episódio de toda temporada em minha opinião, sem contar no símbolo de mulher que a Sioban foi durante toda a série!), e finalmente a lista com todos os clones, um total de 273 por todo o mundo, incluindo algumas no Brasil (Um presente para os fãs que tanto amam esta série).

Eu particularmente achei que a temporada enrolou bastante no início, mas conseguiu retomar com destreza nos episódios finais, e nos deixou sem fôlego em muitos deles, sem contar nas lágrimas que não fomos capazes de segurar, como no momento final. NOSSO CLONE CLUB ESTÁ VIVISSÍMO.

Fiz esse resumo sobre a minha impressão de toda temporada, para abordar o assunto o qual gostaria de falar: O empoderamento.

Nesta temporada, P.T. Westmorland disse “O poder é feminino”, e nesta série, realmente é. Desde a criação da conspiração de clonagem humana isto é evidenciado, afinal, o próprio personagem sabe que não poderia ter tido êxito sem a ajuda de Susan e de Coady. Com Sarah e suas irmãs não é diferente, as Sestras sempre estão juntas e achando uma forma de conseguir se salvar, e salvar aqueles que elas amam.

Rachel também ganhou holofotes nesta temporada, e teve seu lado psicológico totalmente exposto, e pudemos ver a sua transformação em uma menina interessada na ciência pelo amor que sentia aos pais, em uma vilã impiedosa.
Orphan Black transita no ramo de ficção cientifica, mas deixou a marca do quão importante é a união feminina, e o poder que cada uma delas representa em uma sociedade. Tatiana Maslany é uma excelente atriz, e fez com que cada papel nesta série se completasse.

O fim de Orphan Black trás uma linda imagem de Sarah, Helena, Cosima e Alison juntas, em um momento extremamente pessoal, em que a vulnerabilidade de cada personagem é explorada em poucos minutos, mas que foi o suficiente para dar um final totalmente humano e de extrema relevância para a mensagem a qual a série quis dar.

O empoderamento feminino não é apenas um argumento para falar de mulheres no poder, mas da união e da força do sexo feminino, o que Oprhan Black consegue mostrar com maestria, e de formas diferentes para cada mulher ali mostrada. A série mostrou em toda sua existência a imagem de mulheres fortes, que juntas conseguiram atingir o resultado que queriam, ser uma família.

Iremos sentir falta de Orphan Black.