Postado por Jhonata Fernandes em Filmes, Resenha

O tão aguardado “Mãe!”, novo filme dirigido e escrito por Darren Aronofsky, e protagonizado por Jennifer Lawrence, é aquele filme que ou você ama, ou odeia. Sim, acredite, esse filme dará muito o que falar.

Ao sair da sessão reservada para a imprensa no último dia 15, as pessoas saíram da sala comentando, muitos se questionavam se de fato entenderam o filme, e era possível ver até mesmo alguns já soltando farpas sobre o longa de Aronfsky.

O filme conta a história de um casal que vive isolado da sociedade em uma casa no meio do nada, no entanto, a chegada de um casal mudará toda a ordem a qual a casa está submetida. Jennifer Lawrence apresenta uma atuação impecável que leva o público ao êxtase com tamanha transformação a qual a personagem é submetida. Quem também não fica atrás é Javier Bardem, o ator consegue prender atenção do público e nos levar a imaginá-lo como uma figura transcendental.

Divulgação: “Mãe!” – Paramount Pictures

Ao falar de elenco, é imprescindível falar da estrela que Michelle Pfeiffer é, mesmo sendo secundária, a atriz rouba as cenas em diversos momentos, inclusive em momentos com os personagens principais.

O filme que é dirigido e escrito por Daren Aronofsky é repleto de simbolismos e metáforas que atingem o público constantemente. Desta forma, o diretor faz com que cada detalhe seja essencial para a compreensão do filme por inteiro. Sim, é um filme difícil, mas é um filme artístico que apresenta ao público uma visão crua e surreal do ser humano, e de como o amor e a devoção transforma as pessoas.

O longa é repleto de referências bíblicas desde os irmãos Caim e Abel, até a morte de Jesus Cristo, todas estas são feitas de maneira simbólica, inseridas no contexto do filme em que se encaixam de maneira crucial.

A sonoplastia é de extrema importância neste filme, pois amplia o impacto que a fotografia, centrada nas expressões dos atores, nos passa. O medo do inesperado estão presentes nas 2 horas de duração, mas não vá ao cinema esperando um terror psicológico, pelo contrário, em coletiva com Darren Aronofsky, ele mesmo disse que este é um filme que não é possível categorizar em um gênero específico.

É necessário confiar no talento de Aronofsky, e no grande elenco que o filme nos apresenta, desta forma, você será levado para o ambiente a qual o filme se passa, e ao mesmo tempo que se confunde com o aglomerado de informações, também sentirá a reflexão que inúmeras metáforas do simbolismo e surrealismo nos trazem.

Mãe! é um filme que merece ser assistido e merece empenho do público para que seja entendido e traduzido da forma a qual Daren Aronovsky quis passar. Muitos podem detestar, mas a arte é controversa para muitos, portanto não seria diferente para este filme.

Divulgação: “Mãe!” – Paramount Pictures

O filme da Paramount Pictures chega aos cinemas nesta quinta-feira (21).

SPOILERS A SEGUIR
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Após dar este aparato do filme, achei de extrema importância passar alguns detalhes os quais foram explicados por Darren Aronofsky em coletiva para a imprensa que ocorreu na manhã de ontem (19). Então se preparem para os SPOILERS!

O diretor respondeu algumas perguntas de veículos de comunicação e em 40 minutos debateu sobre aspectos do filme que chamaram a nossa atenção quando assistimos ao longa.

Foto: Coletiva de Imprensa de “Mãe!” – Por Maurício Santana

O mais importante é alegoria de Darren para personificar a história da criação, que conta com o criador (Javier) e a mãe natureza (Jennifer). Desta forma, toda a narrativa se desdobra com inúmeras referências, que ao final se juntam e formam a ideia principal do filme, de que Jennifer Lawrence é a própria casa, de fato a mãe natureza, e toda sua destruição é feita pela raça humana, nós.

Acredito que os que estão lendo esta parte do texto já tenham assistido o filme, portanto, creio que vale a pena contar uma das teorias difundidas na internet, até que o diretor confirmasse: Michelle Pfeiffer é a Eva, da Bíblia. Sim, e isto pode ficar claro para alguns, quando ela quebra o cristal guardado pelo personagem de Javier Bardem, este pode ser entendido como o fruto proibido, que após ser ingerido, trás todas as consequências já conhecidas por muitos.

Estas duas referências as quais citei são de extrema importância para a compreensão do mundo, e este é um filme que pode ter inúmeras interpretações. Para o diretor, isso é algo normal, no entanto, ele não concorda com as interpretações que traduzem um filme como uma amostra gratuita de violência, pelo contrário, durante a coletiva, Darren explicou, que sua forma de passar a violência no filme, foi uma forma crua, a qual quis passar verdade e intensidade.

Portanto, com as explicações de Darren fica ainda mais claro a função alegórica a qual o diretor decidiu usar para contar a história da criação, de forma personificada e real.