Postado por Letícia Marques em Resenha, Séries

Orange Is The New Black é uma série baseada na história de Piper Chapman (Taylor Schilling), uma mulher branca que tem a vida perfeita, mas que decide virar sua vida do avesso quando se entregar por um crime que cometeu com a ex-namorada Alex Vause (Laura Prepon) e acaba ficando anos na cadeia. Mas o que chama atenção nesse seriado não é simplesmente o choque de realidade em que a Piper tem ao conviver com outras presidiárias, mas sim a história de cada uma delas e a empatia que nós criamos ao se identificar com suas fraquezas, medos, preconceitos e acima de tudo de entender que todo mundo tem um lado sombrio, mas não menos humano.

Na trama, o presídio fica em Lichfield, Inglaterra, mas pessoas de diversas partes dos Estados Unidos são transferidas para lá. Quando passamos a assistir o seriado levamos os primeiros episódios todos na base do humor e nos sentimos a própria Piper ao descobrir de fato como é a vida das detentas, mas durante a série começamos observar as questões sociais e sexuais que são impostas para nós e por isso outras histórias acabaram tomando uma proporção maior até  que a história da Chapman.

Créditos: Variety

Histórias como a da Sophia Burset, interpretada pela maravilhosa atriz e produtora de televisão, Laverne Cox, que é uma detenta que sofre preconceitos e agressões com a nova gestão da cadeia por ser transgênero, inclusive até um corte de seus medicamentos que ajudam na sua transição durante a trama. Burset, também tem uma família fora da cadeia, quando era casada teve um filho, no qual não a respeita e nem a enxerga como da família devido sua sexualidade. E quando acabamos conhecendo a vida daquela pessoa, criamos empatia, mas não pela suas escolhas e sim pelo caminho que ela teve que percorrer para ter tomado a decisão errada e a forma de injustiça nos incomoda e nos deixa reflexivo sobre como que de fato é a vida de pessoas presidiárias no Brasil, as opções que essa pessoa teve na vida e se teve opção, quanta injustiça é feita e a gente não vê, então esse é um dos pontos mais fortes do seriado, que é entender a história daquele que todos julgam como “bandidos” e muitas vezes somos preconceituosos. Seria muito bom se nós pegássemos essa empatia que temos ao assistir OITNB, amando as personagens e se sensibilizando com elas e levar um pouco de respeito quando vamos tratar uma pessoa em nosso dia a dia.

Créditos: Vulture

Orange, fala muito também de desigualdade social, descriminação e abuso sexual. No caso da Tasha Jefferson, conhecida como Testyee e interpretada pela atriz, Danielle Brooks, que durante a trama tem sua liberdade aprovada, mas acaba voltando para a prisão por opção, pois a jovem não tinha para onde ir e nem arrumava emprego por ser ex-detenta e esse caso infelizmente é “comum” em nosso país e no seriado criamos uma certa pena da personagem, mas na realidade evitamos pegar o transporte público em dia de saída de final de ano, quando os detentos saem para visitar a familia.  E no caso da Daianara Díaz, interpretada pela atriz, Dascha Polanco, ela vive um “romance” com um policial que a deixa grávida e sozinha lhe fazendo entregar a criança e pensamos depois quantas mães tem que entregar seus filhos por não poderem cuidar deles, mas muitos a julgam como “vagabundas”.

OITNB nos abre um leque de preconceitos e desigualdades que vivemos entre negros, LGBT e latinos, nós sentimos empatia porque somos preconceituosos e assistindo o seriado vemos que tudo tem duas versões e que a gente decide se quer ver os dois lados, esse definitivamente é um seriado para te deixar reflexivo, para te fazer rir e chorar, mas acima de tudo para você questionar e entender essas questões que não estão apenas em Lichfield, mas talvez na sua própria casa.